Mas afinal, o que faz um médico anestesista?

O anestesista conversa com você no pré-operatório, em uma salinha gelada, e você já está esperando para entrar na sala de cirurgia. Esse desconhecido (ou não, se vocês tiveram uma consulta pré antes) se interessa por tudo o que você possa ter de alergia, pergunta sobre a sua última refeição e pede para ver os seus dentes. É tudo muito estranho, e esse dia é inesquecível, porque é o dia da sua cirurgia. Sua companhia é esse estranho, ou, no meu caso, estranha, que você não sabe exatamente o que faz. Aplica a anestesia e sai? Ficará comigo até o final? Essa dúvida e tantas outras podem passar pela sua mente. Afinal, o que faz um anestesista? Precisa ser médico para aplicar anestesia?

Para responder a essas perguntas, prazer, meu nome é Ingrid e eu sou médica anestesista.

O trabalho do anestesista começa antes mesmo que você entre na sala de cirurgia. Chegando cedo, é necessário preparar todo o material e as medicações a serem utilizadas, além de testar os equipamentos. Checar seus exames e fazer essa entrevista antes da entrada na sala.

Já na sala de cirurgia, o anestesista tem um papel fundamental: manter você vivo, monitorizado, tranquilo e confortável para fazer uma cirurgia que, no século XIX, seria simplesmente impossível sem dor. O anestesista, muito além de aplicar a anestesia adequada, vai observar você durante o procedimento: seus sinais vitais, respiração, frequência cardíaca, sinais de dor, angústia e consciência. A anestesia evoluiu muito e hoje contamos com monitores modernos, até mesmo de consciência!

Quanto maior a cirurgia, maior a necessidade de saber tudo, nos mínimos detalhes. É por isso que o anestesista é, no mínimo, um curioso, mas principalmente um observador atento. Os alarmes tocam nos monitores e imediatamente o anestesista olha, procurando a causa de qualquer alteração. Dialogando com o cirurgião para saber em que pé está a cirurgia. Literalmente, o anestesista fica ao seu lado, guardando a sua vida.

O som mais satisfatório para o seu anestesista é o seu coração em um pulso tranquilo, saturando 100%.

Além dessa observação atenta, há a aplicação da anestesia em si, seja sedação, geral ou ainda raquidiana, punção de acessos caso sejam necessários e transfusão de soros ou sangue! Ufa.

No final, deixar você aos cuidados do colega na sala de recuperação ou UTI, dependendo da cirurgia a que você foi submetido.

É sobre essa rotina que falaremos nessa página.

Seja bem-vindo(a)!

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